A origem da Igreja de Santa Cruz e da Vila de Passa Três – Prefeitura Municipal de Cesário Lange – SP

A origem da Igreja de Santa Cruz e da Vila de Passa Três

(foto de Cesário Lange no ano de 1957)

Por volta de 1850, um certo José Justino Inocêncio, residente em Sorocaba, vendeu suas terras incultas próximo a um lugar chamado Passa-Três na altura do caminho, que de um lado se dirigia aos Braganceiros (Pereiras) e ao sertão de Santo Antônio do Rio Feio (Porangaba) em quinhões a alguns sertanistas, entre eles: José Mendes de Almeida , Joaquim de Almeida Leite, Antônio Pires de Campos, Antônio Leite de Miranda, José Mariano Pinto, Bento Casimiro, Vicente da Silva Ribeiro, Severino Alves de Oliveira, Antônio Nunes da Silva, André Rodrigues Machado, José Pedro Fernandes e Joaquim Corrêa Fernandes e outros. Estes foram os primeiros proprietários de terras do atual município de Cesário Lange, que nos chegaram pela tradição, já consolida pelos anos 30 do século XX.

Por volta de 1872, pensou José Mendes de Almeida em erigir uma capela, onde os moradores daquelas matas se pudessem reunir e fazer exercícios religiosos no lugar chamado comumente de Passa-Três, assim chamado, ao que parece, devido a um ribeirão que ali há com este nome . Este ribeirão nasce na altura da Fazenda Monte Alegre e deságua no Ribeirão da Onça. Provavelmente, este nome do ribeirão é devido ao fato que o mesmo cortava, então, por três vezes os confins meridionais de uma imensa sesmaria que havia pertencido a uma mítica personagem, uma certa Francisca de Tal Godoy (Chica Braba), que compreendia partes de terras hoje pertencentes aos municípios de Laranjal Paulista, Tietê e Cesário Lange. A sede das terras desta latifundiária, lendária por sua crueldade para com seus escravos, seria próxima ao Bairro dos Pedros, que faz hoje parte da Fazenda Nova Esperança. Com a abolição da escravatura, Chica Braba teria se retirado para Tatuí, onde morreu . Antes, vendeu partes de suas terras aos Guedes de Tatuí e deixou outras partes  de  suas  terras  a  alguns de  seus  herdeiros, entre eles, Antônio Alves e filhos.  Uma parte de suas terras foi completamente abandonada, que deu origem ao atual Bairro  da  Fazenda  Velha. No início do  século  XX,  posseiros se instalaram nela, se  dedicando à agro-pecuária  e  até  hoje  a  maioria de seus moradores assim permanecem, sem títulos de propriedade. O Atual distrito da Fazenda Velha é uma parte obscura, ainda, da história de Cesário Lange.

Para erguer tal capela, José Mendes de Almeida adquiriu com auxílio de outros moradores por 50$000 de Antônio Furquim de Oliveira e de sua mulher Francisca um terreno próximo ao Ribeirão Passa-Três, onde com a ajuda de alguns companheiros ergueu uma capelinha de pau e barro em honra à Santa Cruz. Para tanto contou com os serviços de carpintaria de Pedro Rodrigues Machado e João Rodrigues Machado, que também prestaram algum serviço voluntário. Na ocasião, Severino Alves de Oliveira doou um terreno fronteiro à capelinha para servir-lhe de pátio com 1.600 braças quadradas (aproximadamente uns 7.744 metros quadrados), em que se andasse em procissões e o povo montasse barracas, botequins e paliçadas em dias de festas que ali se faziam mensalmente. Terreno este, onde, hoje se localiza a Praça Pe. Adolfo Testa.

A 12 de dezembro de 1878 (uma quinta-feira), o Padre cônego Demétrio Leopoldo Machado, vigário de Nossa Senhora da Conceição de Tatuí, paróquia que pertencia à diocese de São Paulo, celebrou a primeira missa na capelinha de Santa Cruz de Passa-Três. Também, nesta ocasião, realizou-se ali o primeiro batizado, o de Joaquim Mendes de Almeida (Nhosinho), filho de Joaquim Mendes de Almeida e Delfina Maria de Almeida, neto de José Mendes de Almeida.

A primeira casa edificada, à direita da capela, foi a de Pedro Rodrigues Machado (o carpinteiro) que deixou um espaço, que foi aproveitado para uma travessa. Aos poucos em volta da capelinha surgiria o povoado de Passa-Três. Em 1879, o presidente da Câmara de Tatuí, Manuel Eugênio Pereira, acompanhado do seu fiscal, Cândido Pinheiro de Camargo, traçou as primeiras ruas da vilinha.

Desde 1879 já funcionava uma escola para crianças na casa de José Mendes da Silva (Nhô Gé), filho de José Mendes de Almeida na atual Rua dos Mendes. Esta “cadeira” de instrução foi criada a pedido de José Mendes de Almeida com o auxílio do deputado José Lisboa de Almeida, pois pertenciam ambos ao Partido Conservador (mendistas) que era chefiado em São Paulo pelo grande jurisconsulto João Mendes Almeida. Foram professores da dita escola: Cesário Lange Adrien, que tomou posse da cadeira da escola de Passa-Três no dia 20 de agosto de 1879 (vindo de Nazaré) e o leigo Francisco Mendes de Almeida (1859-1930), irmão de Nhô Gé e filho de José Mendes de Almeida. Pe. Olegário Barata, cinqüenta anos depois definirá o professor Cesário Lange Adrien como um “espírito lúcido, humanitário e progressista” (Livro do Tombo 1, pg 46).

(professor Cesário Lange Adrien)

Por essa época, o mesmo José Mendes de Almeida, junto então com o professor Cesário Lange Adrien e José Francisco de Oliveira, resolveram ampliar a capelinha de Santa Cruz. Usaram-na como capela-mor da igrejinha que se construía com um aumento de 18 metros no comprimento e com 11 metros de frente, aproximadamente. Foram executores os mesmos carpinteiros já citados acima, auxiliados pelos pedreiros: José Sommerhauzer e Idelfonso  Antônio  de   Moraes. A pequena igreja foi benta em dezembro  de  1890, em virtude da provisão do mesmo mês. Era uma  pequena  capela,   tosca, feita de   pau  e  barro. Também,   adquiriu José Mendes de Almeida por  meio  de  seu  representante o professor  Cesário  Lange  Adrien de  João  Wagner, comerciante e de sua esposa  Florinda Paes Wagner  no dia 09  de  outubro de 1983  por  1.200$000  uma casa para o uso da igreja (que se tornará a  antiga  casa   paroquial  na   Rua do Comércio,  alienada  em  parte  em 1962 para  se  construir  a  atual).

Como o povoado crescia, fazia-se necessidade de um cemitério (até então, sepultavam os falecidos em Tatuí ou Pereiras), e a capela de Santa Cruz conseguiu para tal fim um terreno com uma área doada por Vicente da Silva Ribeiro (certamente, os pais dos irmãos Francisco, Joaquim, Cesário e Vicente Ribeiro da Silva) por volta de 1885. O cemitério tinha 625 braças quadradas (3.025 metros quadrados) e foi regularizado através de provisão própria (L.3 do Tombo de Tatuí, fls 3) no dia 04 de julho de 1894 e foi benzido como “campo santo” no dia 14 de setembro do mesmo ano. Este cemitério seria ampliado em 1922 através de doação de um lote anexo (um celamim de terra), feita por Porfíria Maria da Conceição (viúva de Joaquim Ribeiro da Silva), doação esta regularizada em 1934. Em junho de 1936, Domiciano Rodrigues Paulino doou 20.000 tijolos para que se construísse um muro em sua volta, para substituir a tosca cerca de estacas que dava os limites ao cemitério.

Cesário Lange Adrien, um dos benfeitores da igrejinha de Santa Cruz de Passa-Três, foi transferido para Tatuí em 1897.

Print Friendly, PDF & Email